Centro de Síntese em Mudanças Ambientais e Climáticas inicia elaboração de relatórios – MCTI

Oficinas científicas abordaram os temas dos primeiros relatórios: ponto de não-retorno da Amazônia e o branqueamento de corais

O Centro de Síntese em Mudanças Ambientais e Climáticas (SIMACLIM), projeto financiado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), encerrou nesta quarta-feira (8), em Recife (PE), as primeiras oficinas científicas sobre dois dos 12 temas que serão objeto de relatórios de síntese. Representantes do governo e 16 cientistas brasileiros e internacionais debateram o ponto de não-retorno da Amazônia e o branqueamento de corais.

O Centro produzirá relatórios de síntese, documentos que reunirão o estado da arte e considerações sobre os temas debatidos, além de fornecer insumos para implementação de políticas públicas para o Governo Federal. A previsão é que os primeiros relatórios sejam entregues até setembro deste ano, fornecendo bases científicas sólidas para a formulação de políticas públicas.

“Esses são dois dos 12 temas que o SIMACLIM irá abordar ao longo dos próximos anos. O tipping-point da Amazônia e o branqueamento de corais foram selecionados para discussão nesse momento devido à relevância e urgência. Ambos são vitais para o equilíbrio ecossistêmico global e estão atualmente sob ameaças significativas que exigem ação imediata”, afirmou o gestor do projeto, Hugo Mariz de Moraes.

Para garantir que os relatórios resultem em medidas práticas e efetivas, especialistas em políticas públicas estão integrados às equipes. Isso permitirá que as recomendações sejam diretamente aplicáveis ao combate aos efeitos desses fenômenos adversos por parte dos gestores e autoridades públicas. “Estamos elaborando um conjunto de propostas que podem e devem orientar o Estado brasileiro sobre quais as políticas e quais as abordagens científicas que são prioritárias para enfrentar esses dois problemas,” destacou Moacyr Araújo, coordenador do projeto e coordenador científico da Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais (Rede Clima).

Amazônia

O ponto de não-retorno da Amazônia é a possibilidade da ocorrência de mudança abrupta ou persistente dos padrões ecossistêmicos do bioma que, uma vez atingida, pode desencadear um ciclo de degradação florestal irreversível com impactos devastadores para os ciclos físicos, químicos, biológicos, climáticos e sociais em diferentes escalas. O branqueamento de corais é o processo de despigmentação que indica a morte desses seres e uma séria ameaça aos ecossistemas de recifes ao redor do mundo, essenciais para a biodiversidade marinha e consequentemente para a subsistência de muitas regiões costeiras.

As discussões também envolveram a interseção entre os processos oceano e da floresta. “Estamos estudando a possibilidade de um documento que descreve processos que são coincidentes em termos de forçantes climáticas e ambientais para os dois sistemas”, relata o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Jean Ometto.

As oficinas contaram com apoio em parceria com a ONU-Habitat e a participação de representantes dos ministérios do MCTI, Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), e das Relações Exteriores (MRE).

Sobre o Centro de Síntese

O SIMACLIM é um projeto da Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais (Rede Clima) e conta com financiamento de R$ 10 milhões do MCTI/Finep por meio de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). A iniciativa do SIMACLIM se estabelece como um recurso crucial para a ciência climática no Brasil, unindo esforços nacionais e internacionais para lidar com alguns dos desafios ambientais mais críticos do nosso tempo. Os relatórios de síntese são os primeiros passos em um esforço contínuo e conjunto para tornar o país mais resiliente e preparado para enfrentar as realidades de um clima em mudança.