No dia 24 de julho de 2025, o coordenador do SIMACLIM e vice-reitor da UFPE, Moacyr Cunha de Araujo Filho, e o coordenador do Centro de Estudos Amazônia Sustentável da USP, Paulo Artaxo, publicaram um artigo de opinião no Diario de Pernambuco. Intitulado “A ciência brasileira na COP30”, o texto defende a presença ativa e estratégica da ciência nacional na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que ocorrerá em Belém do Pará.

Ciência brasileira precisa estar integrada às decisões

Segundo os autores, a ciência climática produzida no Brasil é consolidada, relevante e tem contribuído para o avanço global do conhecimento. Além disso, ela é essencial na construção de estratégias de enfrentamento à crise climática.

Por isso, eles defendem que a participação científica brasileira vá além dos espaços expositivos. A ciência deve estar presente também nas negociações formais, dentro da Zona Azul e da Zona Verde da conferência.

Três áreas estratégicas de contribuição

O texto identifica três frentes principais onde o Brasil pode contribuir de forma significativa:

  • Amazônia: é necessário implementar estratégias efetivas de combate ao desmatamento e à degradação florestal. Ao mesmo tempo, é fundamental promover o desenvolvimento sustentável do bioma e melhorar o índice de desenvolvimento humano da região;

  • Áreas costeiras e oceânicas: o país precisa enfrentar o aumento do nível do mar e preservar os estoques de carbono dos manguezais, que são ecossistemas valiosos para o equilíbrio climático;

  • Cidades brasileiras: com mais de 80% da população vivendo em áreas urbanas, será preciso adaptar esses ambientes às novas condições climáticas. As cidades brasileiras devem estar preparadas para temperaturas de 3 a 4 °C mais elevadas nas próximas décadas.

Transição energética e soberania nacional

Além dessas frentes, os autores ressaltam a urgência da transição energética. É preciso zerar as emissões de gases de efeito estufa e garantir o futuro energético do país de forma justa e eficiente.

Eles também alertam para os riscos enfrentados por atividades econômicas como o agronegócio e a produção hidrelétrica, que são vulneráveis à redução da precipitação e ao aumento da temperatura.

Por fim, destacam que a COP30 representa uma oportunidade única para o Brasil reafirmar sua soberania. Isso deve ocorrer por meio da valorização do conhecimento científico nacional, que embasa políticas públicas internas e externas nas áreas de clima e meio ambiente.

“Mais do que nunca, a liderança e a soberania de uma nação se alicerçam na ciência que esta é capaz de desenvolver”, concluem os autores.

Leia o artigo na íntegra:
A ciência brasileira na COP30 – Diario de Pernambuco