SIMACLIM publica relatório de vulnerabilidade climática urbana: metade das cidades brasileiras em risco elevado até 2050

O Centro de Síntese em Mudanças Ambientais e Climáticas (SIMACLIM) divulgou, em 2025, o relatório Cidades Verdes-Azuis Resilientes, que revela um cenário preocupante para as cidades brasileiras nas próximas décadas. De acordo com a análise, cerca de 50% dos municípios do país, aproximadamente 2.800 cidades, apresentam risco elevado ou muito elevado frente aos impactos das mudanças climáticas até 2050, especialmente em áreas urbanas densamente povoadas.

O estudo reúne e sintetiza dados climáticos, socioeconômicos e ambientais, avaliando a exposição, a sensibilidade e a capacidade adaptativa das cidades brasileiras diante de eventos extremos como ondas de calor, enchentes, deslizamentos, secas prolongadas e elevação do nível do mar. A pesquisa aponta que os impactos tendem a ser mais severos em regiões onde desigualdades sociais, infraestrutura precária e ocupação desordenada do solo já representam desafios históricos.

Segundo o relatório, áreas metropolitanas e cidades médias concentram grande parte da população urbana vulnerável, sobretudo em periferias, onde o acesso a saneamento básico, áreas verdes e serviços públicos é limitado. Nessas localidades, os efeitos das mudanças climáticas podem intensificar problemas de saúde pública, insegurança hídrica e perdas econômicas, ampliando desigualdades socioambientais já existentes.

Para os pesquisadores do SIMACLIM, o relatório Cidades Verdes-Azuis Resilientes reforça a urgência de integrar o conhecimento científico ao planejamento urbano e às políticas públicas. “As cidades estão na linha de frente da crise climática. Antecipar riscos e investir em estratégias de adaptação urbana é fundamental para reduzir danos futuros e proteger as populações mais vulneráveis”, destaca a coordenação do estudo.

Além do diagnóstico, o documento apresenta recomendações estratégicas para gestores públicos, como a incorporação de soluções baseadas na natureza, o fortalecimento da governança climática local, a ampliação de sistemas de alerta precoce e a inclusão da justiça climática como eixo central das políticas urbanas.

O relatório está disponível gratuitamente no site do SIMACLIM e integra o esforço do centro em traduzir evidências científicas em informações acessíveis, capazes de subsidiar decisões governamentais, iniciativas da sociedade civil e o debate público sobre adaptação às mudanças climáticas no Brasil.